Carduus Marianus
By John Henry Clarke — Dicionário de Matéria Médica Prática
Silybum. N. O. Compositæ. Tintura ou trituração das sementes.
Clínica
Bronquite / Hidropisia / Epistaxe / Febre / Cálculos biliares / Hemoptise / Hemorragias / Hemorroidas / Influenza / Febres intermitentes / Icterícia / Afecções do fígado / Metrorragia / Neuralgia / Tísica / Pleurisia / Reumatismo / Ciática / Afecções do baço / Tiflíte / Varizes
Características
Devemos principalmente a Rademacher este medicamento. Para ele, trata-se antes de tudo de um remédio hepático: todas as suas manifestações se originando em algum transtorno do fígado. Segundo Burnett, o maior efeito de Card. m. faz-se sentir sobre o baço e o fígado, especialmente sobre a extremidade esplênica do fígado. G. F. Laidlaw (H. M., xxxiv. 686) apresenta uma tradução condensada das observações de Rademacher sobre Card. m.: Ele considera a hematêmese como sendo mais frequentemente devida a doença crônica do baço; menos frequentemente, a doença do fígado. Pessoas que durante muito tempo sofreram dores no hipocôndrio esquerdo tendem a vomitar sangue, após o que ficam aliviadas. Rademacher considera o sangramento frequentemente benéfico, e diz que não deve ser contido cedo demais. No tratamento da hematêmese, diz ser melhor usar um remédio que atue sobre a região epigástrica sem irritar o estômago nem interferir na cicatrização da lesão. Tal remédio ele encontrou numa decocção das sementes de Card. mar. Antes costumava dar Opium, mas este, diz ele, em algumas pessoas, "produz uma série de sintomas semelhantes aos observados na hemorragia grave, e pode agravar o estado." Acrescenta: "É provável que muitas pequenas hemorragias do estômago passem despercebidas porque não há vômito, e que seja dessa maneira que queixas abdominais obscuras às vezes sejam subitamente aliviadas ou curadas."
O aumento do fígado de Carduus m. ocorre no sentido transverso (o de Chel. sendo mais vertical). Burnett relata o caso de uma moça de dezesseis anos que sofrera, durante três meses, de violentos acessos de vômito, com dores no abdome. Os vômitos foram aliviados por remédios sintomaticamente aparentados, mas as dores não. Um exame mostrou "fígado e baço ambos muito aumentados de volume, de tal modo que parecem encher o abdome." Card. m. Ø gtt. v. à noite e de manhã logo curou a paciente. Dudgeon deu um relato da experiência de Windelband e Kunze com este remédio. Windelband, tratando uma mulher por tumefação crônica do fígado com Card. m., curou incidentalmente ao mesmo tempo algumas úlceras varicosas "colossais". Essa experiência levou-o a curar grande número de casos semelhantes com o mesmo remédio. Curou também catarro gastro-intestinal; epistaxe; metrorragia; fluxo hemorroidário; dependentes de congestão portal. Sensibilidade dolorosa do fígado; febre biliosa; sintomas lembrando peritonite e pontada no lado foram curados por ele. Kunze recomenda ainda o remédio nos casos de espasmo do estômago, dores contrativas, vômito surgindo no auge do acesso, frio subindo do precórdio à garganta; sensação de constrição espasmódica; dor compressiva, lancinante, no lado direito do abdome, irradiando-se para as costas ou o ombro. Curou com ele dores nas regiões hepática e esplênica associadas a hemoptise, ou expectoração de muco viscoso, grumoso, e febre vespertina. Até mesmo a phthisis pituitosa foi curada por ele. Reumatismos musculares localizados dependentes de doença hepática. E. A. Cook (anteriormente de Richmond) deu Card. m. 1 a uma paciente que sofria de congestão hepática, veias inchadas das pernas, hemorróidas e dor de cabeça, com grande benefício para todos os sintomas. No segundo dia a paciente desenvolveu estes sintomas novos, que nunca tivera antes e que a alarmaram muito: "Grande tontura com inclinação a cair para diante; e epistaxe súbita e profusa, seguida de grande alívio." Uma cura notável por Card. m. na "doença do mineiro" é registrada por Proell. Um velho mineiro das minas de ouro de Bockstein sofria da chamada "Bergsucht" (doença do mineiro). "Seus principais sintomas eram: tez terrosa, olhos apagados, hipoacusia, saburra mucosa na língua, perda de apetite até mesmo por seu alimento favorito e pelo tabaco; grande dispneia e palpitações ao subir ladeiras; baço e estômago distendidos; muita eructação de gases, borborigmo constante, constipação alternando com diarreia, porém esta última mais frequente, evacuações cinzentas, urina escassa e pálida, pele seca como se murcha, grande debilidade, pulso lento e fraco. Particularmente marcante era o estado de ânimo deste homem. Anteriormente animado, agora está sem alegria e apático; não dava atenção aos acontecimentos mais importantes. Dei-lhe tint. ., algumas gotas quatro vezes ao dia. Não consegui introduzir alteração alguma em sua alimentação, bebida ou regime. Um mês depois voltou com aparência muito melhor. Perguntando-lhe como estava, respondeu: "O senhor fez de mim um homem novo." Quase todos os sintomas anteriores haviam desaparecido e dado lugar aos opostos. Sua tez estava fresca, os olhos brilhavam, estava animado, desejava viver e trabalhar, tinha bom apetite, dejeções castanhas, eliminava mais urina, pulso normal. Disse que agora, pela primeira vez, sabia o que era sentir-se bem, e assim permaneceu por muitos anos." ( . ., 15 de dezembro de 1895) Proell também o recomenda nas afecções do fígado, do baço e dos rins causadas pelo abuso de bebidas alcoólicas e especialmente de cerveja. Relata dois casos: um de uma cozinheira que apresentava sintomas de cirrose hepática e hidropisia geral, que tornavam sua fisionomia irreconhecível; e outro de um trabalhador de cervejaria que desenvolveu hidropisia. Ambos foram curados pela tintura. O homem da cervejaria, pensando que o remédio se destinava a agir como purgativo, e julgando que as 4 gotas prescritas não seriam suficientes, tomou a quantidade toda, 2 1/2 dracmas, de uma só vez, sem efeitos maus marcantes, e foi rapidamente curado. Proell acrescenta que . está indicado quando há um estado relaxado da mucosa do estômago, evidenciado por flatulência e diarreia, especialmente quando as evacuações são cor de argila. Sente-se muito cansaço, depois de comer; ao cavalgar; ao despertar; frequentemente acompanhado de bocejos. A sensação de frio é proeminente, ao despertar; à noite; ao descobrir-se. Frialdade dos joelhos. Cabeça muito sensível ao frio. Sudorese da fronte e das costas após as refeições. Entre as sensações predominam pontadas e pressão puxante, bem como dores irradiantes; constrição, sensação de faixa e cãibras. O movimento a maioria das queixas.
Relações
Comparar com: Bry. (epistaxe, etc.); Chel., Merc., Nux, Pod., Chelone.
1. Mente
Esquece o que acabava de querer fazer. Propensão a irritar-se. Melancolia nas afecções hepáticas. Sem alegria; apático.
2. Cabeça
Grande tontura, com tendência a cair para diante, > pela epistaxe. Sensação de plenitude na cabeça com dor de cabeça surda, esp. na fronte ou nas têmporas, confusão, vertigem. Pressão na fronte, sobre o olho, no occipício. Constrição ao redor do crânio; sobre as sobrancelhas. Dor no osso parietal esq.
3. Olhos
Ardor e pressão nos globos oculares e nas pálpebras. Pressão como se os globos oculares fossem comprimidos contra as paredes laterais das órbitas.
5. Nariz
Cócega primeiro na narina dir., depois na esq., com corrimento aquoso da mesma. Ardor nas narinas (dir.). Epistaxe; habitual em jovens psóricos. Epistaxe súbita e profusa, aliviando a vertigem.
6. Face
Calor no rosto. Tez terrosa, amarelo-acinzentada, suja ou rubicunda.
8, 9. Boca e Garganta. . Gosto amargo. Língua branca; centro branco; ponta e bordas vermelhas; revestida de branco nas laterais. Acúmulo de água na boca. Sensação lisa da mucosa do palato como se estivesse coberta de gordura. Eructações reiteradas de ar com ardor no esôfago.
11. Estômago
Enjoo intenso, ânsias dolorosas e vômito de um líquido esverdeado. Pontadas na boca do estômago. Conteúdo do estômago e dos intestinos azedo. Pressão no estômago; com eructação de ar; à noite ao despertar; durando todo o dia; surgindo e desaparecendo durante o dia. Sensação de vazio com dor de cabeça antes da refeição principal, desaparecendo depois dela. Ardor, como de acidez, com pressão passageira. Pontadas à esq. do estômago (baço?) < à inspiração.
12. Abdome
Plenitude nos hipocôndrios, obrigando a inspirar profundamente. Região do fígado sensível à pressão. Pressão, tensão e pontadas no fígado ao deitar-se sobre o lado esq. Pontadas no baço < à inspiração e ao curvar-se. Tumefação, sensibilidade e endurecimento do lobo esq. do fígado, causando, por compressão, dificuldade respiratória e tosse com expectoração espessa. Doença hepática afetando os pulmões e causando hemoptise. Dor puxante entre o umbigo e o epigástrio, que vai e vem, no peritônio da parede abdominal, da dir. para a esq., seguida de dor e sensação de calor em pontos do tamanho de um ovo de galinha entre o umbigo e a região inguinal à esq. Sensação de movimento nos intestinos durante a expiração, estendendo-se na largura de uma mão ao redor do umbigo. Distensão; borborigmos; dores cortantes.
13. Fezes e Ânus
Melena. Evacuação muito dura e nodosa; insuficiente. Evacuação pastosa, argilosa. Dor em queimação no reto e no ânus, que dificulta sentar-se. Prurido. Hemorroidas com acidez do estômago e distensão intestinal.
14. Órgãos Urinários
Urgência para urinar, sem necessidade de eliminar urina. Pressão sobre a bexiga, produzindo gotejamento de urina após vontade ineficaz de evacuar. Ardor no meato; na uretra. Urina turva, amarelo-dourada e ácida. Estrangúria; cálculos.
16. Órgãos Sexuais Femininos
Catamênios demasiado abundantes ou suprimidos. Hemorragia uterina crônica com perturbação portal.
17. Órgãos Respiratórios
Irritação na parte posterior da laringe, causando tosse. Expectoração: sangue puro; muco misturado com sangue.
18. Tórax
Dor puxante na margem da costela esq., com dor durante a respiração. Tosse com pontadas nos lados do tórax e escarros sanguinolentos. Tosse de origem esplênica ou hepática. Dores no tórax, irradiando-se para a parte anterior, para os ombros, costas, lombos e abdome, associadas a urgência para urinar. Dores puxantes através do peitoral esq. e dos músculos intercostais esq. abaixo da axila. Pontadas no tórax; do mamilo esq. descendo para a dir. As dores estendem-se por toda a parte anterior do tórax, tornando o movimento quase impossível.
19. Coração
Dor, pressão e pontadas na região do coração; opressão ao respirar profundamente.
20. Pescoço e Costas
Sensibilidade nas vértebras dorsais e cervicais. Dores puxantes nas costas; repuxamento; dor dilacerante; ardor na omoplata esq.
22. Membros Superiores
Violentas dores reumáticas no deltóide dir.; no braço dir. Dor puxante nos músculos que recobrem o rádio esq., alternando com dor nos músculos do lado dir. Dor em cãibra nos músculos dos braços, das mãos, dos dedos, das panturrilhas e dos pés.
23. Membros Inferiores
Dor nas articulações coxofemorais, atravessando as nádegas, causando dificuldade para levantar-se, < ao curvar-se. Reumatismo e espasmo das extremidades. Dor: na tíbia esq.; no dorso do pé; nos músculos da planta do pé dir.; na parte inferior do calcanhar dir. Úlceras varicosas.
25. Pele
Úlceras varicosas. Prurido ao deitar-se à noite.
26. Sono
Sono agitado com despertar frequente e muitos sonhos. Pesadelos por deitar-se de costas. Cansaço com bocejos. Bocejos incontroláveis.
27. Febre
Sensação de frio ao despertar com forte urgência para urinar. Sensação de frio à noite < ao descobrir-se. Suor na fronte e nas costas após as refeições.